
O influenciador paraibano Hytalo Santos e seu marido Israel Natan Vicente,foram presos nesta sexta-feira (15) em São Paulo, alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Eles são acusados de exploração e exposição de crianças e adolescentes em conteúdos publicados nas redes sociais.
O caso ganhou destaque nacional após o youtuber Felca, que possui mais de 4 milhões de inscritos, denunciar em vídeo supostos episódios de “adultização” de menores envolvendo o influenciador. As denúncias resultaram em ações civis públicas, mandados de busca e apreensão e uma série de medidas judiciais contra Hytalo e seu marido.
Medidas judiciais já determinadas
Na última terça-feira (12), a Justiça paraibana determinou o bloqueio do acesso do influenciador às suas redes sociais. Também foi ordenada a desmonetização de todos os vídeos ainda disponíveis nas plataformas, impedindo qualquer ganho financeiro com o material.
A decisão judicial inclui, ainda, a proibição de contato com adolescentes citados nos processos, medida de caráter provisório.
Na quinta-feira (14), a polícia apreendeu um computador e celulares na residência de Santos, em João Pessoa. Segundo o juiz Antônio Rudimacy Firmino, os agentes tinham autorização para arrombar portas, caso fosse necessário. No dia anterior, um mandado semelhante havia sido cumprido no mesmo local, mas o imóvel estava fechado.
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Posição da defesa
A defesa de Hytalo Santos afirmou que ele desconhecia a execução do mandado de busca e apreensão por se tratar de uma medida sigilosa. Os advogados informaram que já estabeleceram contato com a Justiça e que o influenciador se coloca à disposição para prestar esclarecimentos. Ele nega todas as acusações, alegando jamais ter cometido qualquer ato que atentasse contra a dignidade de crianças e adolescentes, e diz acreditar que a investigação provará sua inocência.
Investigações anteriores ao vídeo de Felca
As apurações do MPPB começaram ainda em 2024 e tramitam em duas promotorias distintas:
- Bayeux – A promotora Ana Maria França conduz o inquérito iniciado no fim de 2024, após denúncias de vizinhos de que adolescentes participavam de festas com bebidas alcoólicas e faziam topless no condomínio onde o influenciador morava.
- João Pessoa – O promotor João Arlindo investiga um possível esquema para obter a emancipação de menores, oferecendo presentes como celulares às famílias em troca. A emancipação concede a adolescentes entre 16 e 18 anos plena capacidade civil, permitindo, por exemplo, assinatura de contratos.
Nos dois casos, Santos prestou depoimento e negou as acusações. No processo de João Pessoa, os adolescentes envolvidos foram ouvidos apenas uma vez, para evitar revitimização.
Atuação do Ministério Público do Trabalho
O MPT também investiga o influenciador. De acordo com o procurador Flávio Gondim, mais de 50 vídeos das redes sociais de Santos foram analisados e ao menos 15 depoimentos foram colhidos de pessoas ligadas à produção de conteúdo. Além disso, documentos diversos foram examinados ao longo da apuração.
“As investigações analisaram, de maneira criteriosa, mais de 50 conteúdos publicados nas redes sociais do investigado. Também foram colhidos depoimentos de pessoas que trabalharam com ele em diferentes períodos”, afirmou Gondim.
As investigações seguem em andamento e o relatório do inquérito conduzido pela promotoria de João Pessoa deve ser finalizado na próxima semana.
O vídeo de Felca que acendeu a discussão sobre a adultização de menores,já teve mais de 40 milhões de visualizações no Youtube:
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