Reprodução:Instagram

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por perseguição e violência psicológica contra a influenciadora digital e ex-esposa, Cíntia Chagas. O inquérito, conduzido pela 3ª Delegacia de Defesa da Mulher da capital, foi concluído em 15 de setembro e já encaminhado ao Judiciário.

De acordo com o relatório de 60 páginas, a investigação reuniu provas de que o parlamentar submeteu a ex-companheira a ameaças, chantagens e tentativas de controle sobre sua carreira. Cíntia relatou ter recebido mensagens nas quais Bove dizia que iria “acabar com a carreira dela” caso não aceitasse cláusulas contratuais impostas durante o processo de separação.

Cíntia Chagas e o ex-marido Lucas Diez Bove, no dia do casamento(reprodução:instagram)

A influenciadora também afirmou que o deputado a ameaçava expor intimidades e editar vídeos para prejudicar sua imagem pública. Testemunhas ouvidas, incluindo a assessora de Cíntia, confirmaram episódios de controle e desqualificação. O relatório cita ainda registros de ligações feitas a partir de números da Assembleia Legislativa de São Paulo e mensagens de advogados ligados ao parlamentar pressionando a influenciadora a aceitar termos do divórcio.

A delegada responsável, Dannyella Gomes Pinheiro, apontou que mesmo após o fim do relacionamento, Bove manteve contatos insistentes e chegou a acionar terceiros para se aproximar da ex-mulher, configurando perseguição. “Restou plenamente provado que Lucas Diez Bove praticou os crimes previstos nos artigos 147-A e 147-B do Código Penal, no âmbito da Lei Maria da Penha”, escreveu em despacho.

O inquérito não confirmou lesão corporal. Apesar de Cíntia ter apresentado marcas roxas, a polícia alegou não ser possível comprovar a origem delas. A investigação destacou, entretanto, que as ameaças e pressões se enquadram como violência psicológica.

Cíntia Chagas em entrevista ao programa Domingo Espetacular:

Em nota, a defesa de Bove acusou Cíntia de divulgar informações sigilosas de um processo sob segredo de Justiça e classificou as acusações como “falácias”. Os advogados alegam que a influenciadora estaria descumprindo medida cautelar que a proibia de comentar o caso em público.

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No entanto, o Ministério Público de São Paulo apresentou parecer, na última quinta-feira (25), recomendando a revogação dessa restrição. O promotor Fernando Cesar Gomes de Souza afirmou que não há investigação específica sobre eventual violação de sigilo por parte da influenciadora, o que tornaria a medida ilegal.

Segundo o parecer, manter a proibição poderia configurar “violência institucional” contra uma vítima de violência doméstica e ainda cercear sua liberdade de expressão. Agora, cabe à Justiça decidir se acata a recomendação do MP.

Cíntia Chagas, que soma mais de 7,6 milhões de seguidores nas redes sociais, registrou queixa contra o deputado em 2024, relatando abusos físicos e psicológicos ao longo de mais de dois anos de relacionamento. Na ocasião, a Justiça chegou a conceder medidas protetivas em favor da influenciadora.

Apesar disso, em agosto deste ano, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu arquivar uma denúncia contra o parlamentar por quebra de decoro, apresentada após as acusações da ex-esposa.

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