
A cineasta brasileira Bárbara Marques, autora de curtas como “Dia de Cosme e Damião” (2016) e “Cartaxo” (2020), está detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) desde o último dia 16 de setembro. O caso ganhou repercussão após uma série de postagens feitas pelo marido da artista, o americano Tucker May, em seu perfil no Instagram, nas quais denuncia o que classifica como falhas no devido processo legal e tratamento desumano sofrido pela brasileira.
Segundo Tucker, Bárbara foi detida em Los Angeles após comparecer a uma reunião agendada com autoridades migratórias no Edifício Federal da cidade. Ele afirma que, ao final do encontro, um agente usou o pretexto de uma “fotocopiadora quebrada” para separá-la de seu advogado, momento em que foi presa. A justificativa apresentada para a detenção seria uma audiência judicial de 2019 que ela teria perdido — mas que, segundo ele, nunca foi notificada.
Em atualizações feitas nos últimos dias, Tucker relatou dificuldades no acesso da cineasta a seus advogados, bem como a transferência dela para diferentes centros de detenção sem aviso prévio. Na sexta-feira (27), ele revelou que Bárbara teria sido levada do centro de detenção de Adelanto, na Califórnia, para um local não revelado, mesmo após uma ordem de restrição temporária apresentada por seus advogados para impedir a transferência.
No sábado (28), Tucker informou que conseguiu falar com a esposa por telefone. Segundo ele, Bárbara estava em algum ponto do Arizona e relatou que ficou mais de 12 horas sem comida, teve o acesso a medicamentos negado — apesar de sofrer de um problema crônico de coluna — e sequer recebeu analgésicos básicos, como ibuprofeno.
Já nesta segunda-feira (29), o marido confirmou que Bárbara se encontra em um centro de detenção na Louisiana, após passar três dias sendo transportada algemada, com períodos de mais de 12 horas sem comida ou água e quase sem dormir. Ele também denunciou que a brasileira não recebeu uma cama e foi obrigada a dormir no chão, além de continuar sem tratamento adequado para sua condição de saúde.
“Ela não tem antecedentes criminais, mas está recebendo tratamento desumano que não seria aceitável até mesmo para criminosos endurecidos”, escreveu Tucker em sua mais recente atualização.
O marido da cineasta tem feito apelos para que a imprensa, representantes políticos e organizações de direitos humanos acompanhem o caso. Ele pediu apoio especialmente a congressistas e autoridades da Califórnia, como a deputada Judy Chu, os senadores Alex Padilla e Adam Schiff e o governador Gavin Newsom, para que intervenham em defesa não apenas de Bárbara, mas também de outros detidos.
Em nota enviada à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que acompanha o caso e presta assistência consular à brasileira por meio do Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles. O Itamaraty ressaltou que não pode fornecer mais detalhes, em respeito ao direito à privacidade da cidadã e em conformidade com a Lei de Acesso à Informação e o Decreto 7.724/2012.
O caso levanta novamente o debate sobre os métodos do ICE e as condições em centros de detenção de imigrantes nos EUA, frequentemente denunciados por organizações de direitos humanos por superlotação, falta de cuidados médicos e negligência.




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