
A crise entre Estados Unidos e Venezuela ganhou um novo capítulo neste sábado (29/11). Horas após Donald Trump declarar que o espaço aéreo venezuelano deve ser considerado “totalmente fechado”, o governo de Nicolás Maduro divulgou uma nota dura em resposta, classificando a iniciativa como uma “ameaça colonialista”.
No comunicado oficial, Caracas afirmou que a declaração de Trump representa “uma nova, extravagante, ilegal e injustificada agressão contra o povo venezuelano”. A nota acusa o presidente norte-americano de tentar impor “jurisdição ilegítima” sobre o território venezuelano e de ameaçar a soberania do país.
Segundo o governo Maduro, a mensagem publicada por Trump na rede Truth — na qual o líder dos EUA ordenou que companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e de pessoas evitem o espaço aéreo da Venezuela — busca interferir diretamente na segurança aeronáutica e na integridade territorial do país.
A fala de Trump ocorre em meio a um aumento da presença militar norte-americana na América Latina e no Caribe, além de reiteradas ameaças contra o regime chavista. Apenas dois dias antes, o presidente dos EUA já havia indicado que uma operação terrestre na Venezuela poderia “acontecer em um futuro próximo”, sob o argumento de intensificar o combate ao narcotráfico.
Nos últimos meses, Maduro e integrantes do alto escalão do chavismo têm sido alvo constante de Washington. Em julho, a administração Trump apontou o presidente venezuelano como chefe do cartel de Los Soles — grupo recentemente incluído na lista de organizações terroristas internacionais pelos EUA. A mudança permite ampliar operações militares norte-americanas em outros países sob o rótulo de combate ao “narcoterrorismo”.
Desde a reclassificação, os EUA reforçaram drasticamente sua postura militar na região: navios de guerra, um submarino nuclear, caças F-35 e o porta-aviões USS Gerald R. Ford — o maior do mundo — foram enviados para compor a operação Lança do Sul, iniciada em 13 de novembro. O Pentágono afirmou ter realizado 22 ataques contra embarcações supostamente envolvidas no tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, embora não tenha apresentado provas públicas dessas ligações.
Enquanto as ações se concentram principalmente no mar, fuzileiros navais posicionados em bases americanas na América Latina realizam treinamentos que simulam possíveis operações terrestres — com infiltração, desembarque de tropas, guerra na selva e voos com caças, segundo o Comando Sul (SOUTHCOM).
Para o governo venezuelano, esses movimentos são parte de um plano de interferência direta no país. Em resposta, Maduro já iniciou uma mobilização interna e afirma estar preparado para enfrentar o que chama de “ameaça imperial”.
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