Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), depoente Rubens Oliveira Costa e advogado do depoente, Carlos Urquisa.(Foto:Carlos Moura/Agência Senado)

A sessão da CPMI do INSS desta segunda-feira (22) terminou em prisão em flagrante. O empresário Rubens Oliveira Costa, apontado como administrador financeiro de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, foi detido após ordem do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sob acusação de mentir em depoimento.

Segundo Viana, Costa omitiu informações, apresentou dados contraditórios e tentou ocultar documentos ao longo da oitiva. “A todo momento o depoente buscou enganar este Parlamento, escondendo fatos e negando a verdade”, declarou o senador ao determinar a prisão.

Rubens Costa atuou como diretor financeiro de empresas como a Vênus Consultoria, Assessoria Empresarial S.A. e a Curitiba Consultoria em Serviços Médicos S.A., todas investigadas por envolvimento em fraudes contra o INSS. Ele antecedeu no cargo o técnico em contabilidade Milton Salvador, que também prestou depoimento à comissão, mas até o momento aguarda decisão judicial sobre pedido de prisão preventiva.

Durante a sessão, parlamentares confrontaram o empresário com documentos e imagens enviados pela Polícia Federal. As evidências mostram que Costa realizou diversos saques em espécie, mas em depoimento admitiu apenas um. Além disso, apresentou versões conflitantes sobre os valores movimentados pelas empresas e sobre a época em que conheceu outros investigados.

Apesar de ter um habeas corpus que lhe garantia o direito ao silêncio em perguntas que pudessem incriminá-lo, Costa optou por responder – mas forneceu informações que não batiam com as provas já reunidas pela comissão.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi quem primeiro pediu a prisão em flagrante logo no início da audiência. Próximo ao encerramento da sessão, voltou a intervir, dando nova oportunidade para o depoente esclarecer pontos considerados inconsistentes. Como as respostas não convenceram os parlamentares, o pedido de prisão foi reforçado.

“Esse depoente era operador da mala preta, responsável por pagar propina e garantir a eficiência da organização criminosa. Conhece o esquema por dentro e colaborou com o funcionamento da fraude”, afirmou Gaspar à imprensa após a sessão.

Apesar de negar participação no esquema, Rubens Costa admitiu ter tido grande evolução salarial dentro das empresas investigadas: começou com remuneração de R$ 6 mil e chegou a receber R$ 70 mil mensais. Ele acumulou ainda uma poupança de cerca de R$ 300 mil, já bloqueada pela Justiça, e adquiriu um veículo de aproximadamente R$ 200 mil.

Segundo os parlamentares, mesmo com esses ganhos expressivos, o empresário reside em uma casa modesta, alugada em um bairro periférico de Brasília. Questionado se repassava parte de seus rendimentos a terceiros, preferiu permanecer em silêncio.

Costa relatou que em março de 2024, quando as operações teriam se tornado ainda mais obscuras, foi afastado das funções e substituído por Milton Salvador. Em depoimento, chegou a desabafar: “O sentimento é de irritação de estar envolvido em algo que eu não sabia. Raiva, vergonha, chateação… por ter me permitido chegar a essa situação.”

O próximo passo da comissão é o aguardado depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, marcado para quinta-feira (25).

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2 respostas a “Empresário é preso em flagrante na CPMI do INSS por falso testemunho”

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