O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou neste sábado (19) que não pretende renunciar ao cargo, mesmo após o fim da licença de 120 dias que tirou para permanecer nos Estados Unidos. O retorno do parlamentar ao cargo ocorre de forma automática, conforme prevê o regimento da Câmara dos Deputados, o que significa que, a partir deste sábado (20), ele volta a receber o salário de R$ 46,3 mil como deputado.
Em uma live transmitida pelo YouTube, Eduardo declarou: “Não vou fazer nenhum tipo de renúncia. Se eu quiser, consigo levar meu mandato por pelo menos mais três meses”. A fala ocorre em meio ao recesso parlamentar, que segue até o início de agosto, e dentro do limite de faltas permitido pela Câmara, o que impede, por ora, qualquer risco de cassação por ausência.
Até o momento, o deputado acumula quatro faltas não justificadas no site da Câmara. De acordo com as regras da Casa, o parlamentar só perde o mandato se ultrapassar um terço de faltas nas sessões plenárias ao longo do ano. Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, ainda restam 44 sessões nas quais ele poderia se ausentar sem infringir o limite.
Durante a semana, Eduardo declarou à imprensa que não pretende retornar ao Brasil no curto prazo, por temer ser preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Não vejo a possibilidade de eu voltar agora, porque, se eu voltar, o Alexandre vai me prender”, disse em entrevista à Folha de S.Paulo. Ainda segundo ele, uma decisão definitiva só será tomada após o recesso: “Tenho a opção de não renunciar, deixar o tempo correr e perder o mandato por falta”, declarou.
Eduardo está nos Estados Unidos desde março, quando pediu licença da Câmara alegando perseguição política. O suplente Missionário José Olímpio (PL-SP) assumiu temporariamente sua vaga. Durante o período, o parlamentar passou a atuar nos bastidores internacionais buscando pressionar autoridades brasileiras, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, que conduz investigações contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em maio, Eduardo se tornou alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). As acusações incluem coação no curso do processo, obstrução de investigação criminal e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo a PGR, o parlamentar estaria articulando com o governo dos Estados Unidos para impor sanções contra ministros do STF, em especial Moraes, em benefício do ex-presidente.
Na última sexta-feira (18), Eduardo agradeceu ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, por supostamente revogar os vistos de ministros da Corte brasileira. “De garantido só posso falar uma coisa: tem muito mais por vir!”, escreveu o deputado em sua conta na rede X (antigo Twitter).
Em outra frente, Eduardo também defendeu a imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Em entrevista à CNN, classificou a tarifa de 50% como indesejável, mas disse acreditar que é “a única esperança que resta”. O parlamentar afirmou ainda lamentar que “o povo brasileiro tenha que pagar a conta”.
A permanência do deputado no exterior, sem previsão de retorno, segue sob análise de aliados e opositores, que observam atentamente os próximos passos de Eduardo em meio às investigações em curso.




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