Brasília, 18 de julho de 2025 – Um intenso desdobramento político e judicial agitou ontem (17/07) e hoje o Brasil, envolvendo uma carta do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, o cumprimento de mandados da Polícia Federal na casa de Jair Bolsonaro e a imposição de tornozeleira eletrônica pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Carta de Trump a Bolsonaro
Na quinta-feira (17), Trump enviou uma carta oficial à Bolsonaro, publicada nas redes sociais, na qual expressou preocupação com o que chamou de “tratamento terrível” ao ex-presidente, pedindo que o “julgamento pare imediatamente” e afirmando: “estarei observando de perto”. A mensagem também renovou sua crítica ao governo brasileiro, classificando-o como promotor de “censura ridícula”.
O gesto foi interpretado por Washington como um alerta diplomático, marcado por retórica forte — Trump chegou a ameaçar um “tarifaço” de 50% às exportações brasileiras caso as acusações contra Bolsonaro não fossem suspensas.
Operação da PF e busca domiciliar
Na manhã desta sexta (18), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Bolsonaro em Brasília e na sede do Partido Liberal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes.Foram apreendidos cerca de US$ 14 mil, R$ 8 mil, celulares e um pen drive, agora submetido à perícia.
Bolsonaro foi conduzido à superintendência da PF para instalar a tornozeleira eletrônica, conforme determinação judicial.A medida atinge sua liberdade de movimentos e comunicação.

Medidas cautelares – tornozeleira, restrições e repercussão
O STF impôs a Bolsonaro várias medidas cautelares, incluindo:
- uso de tornozeleira eletrônica com monitoramento 24h;
- recolhimento domiciliar das 19h às 6h e nos finais de semana;
- proibição de uso das redes sociais;
- vedação de contato com embaixadores, diplomatas ou outros investigados;
- proibição de se aproximar de embaixadas ou áreas diplomáticas.
O ministro Moraes designou as medidas em resposta ao risco concreto de fuga e tentativas de obstrução da Justiça, inclusive por meio de “extorsão por tarifas” promovida por Trump e seu filho Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Bolsonaro classificou a decisão como uma “suprema humilhação” e minimizou a possibilidade de fuga, afirmando que “nunca pensou em sair do país nem em se refugiar em embaixada”.
STF confirma manutenção das medidas
A decisão do STF foi mantida por maioria dos ministros, validando a tornozeleira e as demais restrições. O Supremo reforça o argumento do risco de fuga, a interferência externa e a gravidade dos crimes envolvendo suposto golpe de Estado orquestrado por Bolsonaro.
Contexto político e repercussão internacional
- A operação ocorre em meio a uma escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e EUA — Trump não apenas pressionou com a carta, mas também ameaçou tarifas econômicas para intervir no processo judicial de Bolsonaro.
- No julgamento, Bolsonaro enfrenta acusações de tentativa de golpe e ataque ao Estado de direito, com possível pena total superior a 40 anos de prisão.
- O fato de Eduardo Bolsonaro atuar em Washington, pressionando por sanções, foi citado pelo STF como elemento-chave de influência internacional sobre o caso.




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