Durante as comemorações do Dia da Independência dos EUA,na última sexta-feira (4), realizadas no South Lawn da Casa Branca, um momento curioso chamou atenção: a primeira-dama Melania Trump lançou um olhar penetrante e balançou a cabeça, aparentemente em desaprovação, quando o presidente Donald Trump sugeriu que pilotos da Força Aérea dos EUA revelassem suas identidades publicamente — mesmo após participarem de uma missão altamente sensível contra alvos iranianos.
Os militares homenageados eram pilotos de bombardeiros B-2, envolvidos no ataque do dia 22 de junho contra instalações nucleares iranianas. Eles foram convidados pela Casa Branca para o tradicional piquenique anual, voltado a famílias de militares.
Em seu discurso na Varanda Truman, Trump disse estar “honrado em receber 150 aviadores e suas famílias da Base Aérea de Whiteman, no Missouri, lar do bombardeiro B-2”. Em seguida, o presidente incentivou os pilotos a levantarem as mãos, apesar dos riscos de exposição. “Nós os mantivemos um pouco em guarda, nós os mantivemos um pouco… vamos ficar um pouco quietos sobre isso. Se quiserem levantar a mão rapidinho, levantem, porque vocês são simplesmente incríveis”, declarou Trump, sob aplausos da plateia.
As identidades dos militares vinham sendo mantidas em sigilo, uma vez que o regime iraniano ameaçou assassinar o presidente e outras autoridades americanas após o assassinato do general Qasem Soleimani, comandante da Força Quds, em janeiro de 2020.
Vestida de branco, Melania Trump foi flagrada pelas câmeras balançando a cabeça e, em seguida, rindo discretamente enquanto o marido insistia para que os aviadores se identificassem. Um membro da multidão chegou a levantar a mão em resposta ao pedido do presidente.
“Não queremos nos disfarçar, não precisamos fazer isso”, continuou Trump. “Eles estão nos olhando como se fôssemos um bando de bebês… Vimos todas aquelas mãos se levantando. Muito obrigado. Devemos tudo a vocês.”
Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou sobre eventuais medidas de proteção aos militares envolvidos, caso o Irã opte por retaliar.
Antes do pronunciamento, três sobrevoos militares ocorreram sobre a Casa Branca. Dois deles contaram com bombardeiros furtivos B-2, utilizados no ataque aéreo à instalação nuclear iraniana de Fordow. Os EUA também lançaram mísseis Tomahawk a partir de um submarino, visando alvos estratégicos nas instalações nucleares de Natanz e Isfahan.
Na noite do mesmo dia dos ataques, Trump foi à televisão afirmar que os alvos iranianos haviam sido “completamente e totalmente destruídos”. A declaração contradizia análises iniciais divulgadas pela CNN e pelo The New York Times, que indicavam que os danos haviam apenas retardado o programa nuclear iraniano por alguns meses.
Trump reagiu com duras críticas à imprensa: “Muito injusto com os pilotos que arriscam suas vidas pelo nosso país, e depois recebem notícias falsas… A CNN inventa uma história mentirosa para conseguir alguns acessos. É a única razão pela qual me importo, porque aqueles pilotos foram tão corajosos, nunca vi nada parecido”, afirmou durante a Cúpula da OTAN em Haia. “Eles voaram para o vespeiro e depois foram gravemente feridos pelo que as notícias falsas escreveram.”
O ataque dos EUA desencadeou uma resposta imediata do Irã, que lançou mísseis contra a Base Aérea de Al-Udeid, nos arredores de Doha, no Catar — a maior instalação militar dos EUA no Oriente Médio e que havia sido visitada por Trump semanas antes. Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso.
No mesmo dia, o presidente norte-americano anunciou um cessar-fogo entre Irã e Israel, que se mantém desde então, mesmo após disparos iniciais e declarações contundentes de ambas as partes.
Em clima de vitória, Trump aproveitou a celebração no South Lawn para sancionar o que chamou de sua “maior conquista até agora”: a aprovação do “Big, Beautiful Bill” (Grande e Belo Projeto de Lei), referindo-se à nova medida legislativa aprovada pelo Congresso. Após os sobrevoos e seu discurso, Trump desceu até o gramado, onde bateu com entusiasmo um martelo cerimonial entregue pelo presidente da Câmara, Mike Johnson, que o acompanhava no ato.
O evento marcou uma celebração patriótica carregada de simbolismo militar, decisões controversas e o habitual estilo combativo do presidente.




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