
O veterano apresentador David Letterman comentou publicamente a suspensão do programa Jimmy Kimmel Live! pela ABC, após as falas de Kimmel sobre o assassinato de Charlie Kirk. Durante participação no Atlantic Festival, em Nova York, Letterman classificou a decisão da emissora como “miséria” e “ridícula”, criticando a pressão política por trás do caso.
Na quarta-feira (17), a ABC anunciou que o talk show de Kimmel, exibido há mais de duas décadas, seria suspenso por tempo indeterminado. A decisão veio após o monólogo em que o apresentador afirmou que apoiadores do movimento pró-Trump tentavam “ganhar pontos políticos” em cima do assassinato de Kirk. Ele também ironizou a forma como Donald Trump reagiu à tragédia, dizendo que o presidente “lamentou como uma criança de quatro anos reage à morte de um peixinho dourado”.

Letterman, que comandou o Late Night e o Late Show durante mais de 30 anos, contou que trocou mensagens com Kimmel após a suspensão. Segundo ele, o colega de profissão tentou manter o bom humor diante da situação:
“Ele está sentado na cama se alimentando. Vai ficar bem”, disse Letterman em tom de brincadeira.
Apesar da leveza, o veterano admitiu não saber exatamente como interpretar o episódio, mas criticou o clima político atual:
“Você não pode simplesmente demitir alguém por medo ou para agradar uma administração autoritária. Não é assim que funciona.”
Letterman destacou que, durante sua carreira, entrevistou e satirizou seis presidentes americanos — de Jimmy Carter a Barack Obama — sem sofrer qualquer tipo de retaliação oficial. Para ele, a pressão da FCC (Comissão Federal de Comunicações), que condenou os comentários de Kimmel, é inédita e preocupante.

“Jamais fomos pressionados por nenhuma agência governamental, muito menos pela FCC”, recordou.
A suspensão de Jimmy Kimmel Live! provocou reações imediatas em Hollywood e no meio político:
Donald Trump comemorou publicamente a decisão, dizendo que a ABC “fez o que tinha que ser feito” e chamando o programa de “fracassado em audiência”.
Celebridades como Ben Stiller, Jamie Lee Curtis, Henry Winkler e Alison Brie demonstraram apoio a Kimmel. Stiller chegou a afirmar no X (antigo Twitter): “Isso não está certo.”O cantor John Legend compartilhou críticas à pressão política sobre as redes de TV.O comentarista Chris Hayes, da MSNBC, chamou o episódio de “o ataque mais direto à liberdade de expressão por parte de agentes estatais” que já testemunhou.
Até mesmo Keith Olbermann, ex-âncora da MSNBC, foi além, dizendo em postagem que Kirk “deveria queimar no inferno”, além de culpar Trump pela atmosfera política que teria contribuído para o assassinato.
Charlie Kirk, de 31 anos, foi morto a tiros na semana passada no campus da Universidade Utah Valley. O suspeito, Tyler Robinson, 22, foi preso e já responde na Justiça por homicídio qualificado e outras acusações.
Para Letterman, o episódio evidencia um cenário de “autoritarismo” nos EUA. Muitos críticos afirmam que a suspensão é uma forma de censura e que ameaça a liberdade de expressão de comediantes e apresentadores. Já defensores da decisão argumentam que Kimmel extrapolou em um momento de dor e acabou sendo desrespeitoso com a vítima.
Enquanto isso, a ABC mantém a posição oficial: o programa ficará suspenso por tempo indeterminado, e ainda não há sinal de quando ou se Kimmel poderá retornar ao ar.




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