O general da reserva Mário Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro (PL), confirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (24), ser o autor do documento conhecido como “Plano Punhal Verde e Amarelo”, que previa atentados contra autoridades dos Três Poderes.
Durante interrogatório conduzido pelo juiz auxiliar Rafael Henrique, o militar afirmou que o plano era, na verdade, “uma análise de risco” de sua autoria, elaborada de forma pessoal e digitalizada por hábito. Segundo ele, o documento jamais foi apresentado ou compartilhado com outras pessoas. “Era apenas um compilado de pensamentos, fruto da minha visão como militar. Hoje, me arrependo de tê-lo digitalizado, mas reitero que não passou de um exercício pessoal”, declarou.
O conteúdo do plano, revelado nas investigações da tentativa de golpe de Estado em 2022, previa ações extremas, incluindo o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso.
O general admitiu ainda ter impresso o arquivo para facilitar a leitura, hábito que justificou por dificuldades visuais. No entanto, garantiu que o material foi destruído em seguida. “Eu imprimi apenas para ler, como de costume. Mas depois rasguei”, afirmou.
O juiz Rafael Henrique destacou que registros mostram a impressão do plano no Palácio do Planalto e que Fernandes esteve no local cerca de 40 minutos após o procedimento. Questionado se havia levado o documento ao Planalto, o militar negou com veemência. “Não apresentei, não levei e não compartilhei com ninguém. Foi uma coincidência de horários relacionada às minhas funções.”
A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que o documento foi levado ao conhecimento de Jair Bolsonaro, que teria demonstrado anuência. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, o plano fazia parte de um movimento maior, batizado de “Operação Copa 2022”, cuja intenção era provocar uma ruptura institucional. A estratégia previa a mobilização de setores das Forças Armadas, aproveitando-se da tensão gerada após as eleições.
Ainda segundo a denúncia, o grupo monitorava autoridades e pretendia agir antes da posse do novo governo, em dezembro de 2022. O objetivo era impedir a transição democrática e manter o poder nas mãos dos derrotados nas urnas.




Deixe uma resposta