A cada novo desdobramento, o triplo homicídio ocorrido no interior do Rio de Janeiro ganha contornos ainda mais estarrecedores. Um adolescente de 14 anos confessou ter matado o pai, a mãe e o irmão de apenas 3 anos, com tiros à queima-roupa, e ocultado os corpos em uma cisterna na casa da família. O crime, ocorrido no dia 21 de junho de 2025, teria sido motivado por uma relação amorosa virtual e incentivado pela namorada de 15 anos, apreendida dias depois no Mato Grosso do Sul.
Linha do Tempo dos Fatos
21 de junho – a madrugada da chacina
- O adolescente se arma com o revólver do pai, espera a família dormir e executa um a um com tiros na cabeça.
- Durante o crime, manteve ligação por chamada de voz com a namorada, que teria dado ordens e incentivos em tempo real.
- Em mensagens trocadas, ela pede que ele “atire nela agora” após ele dizer “matei meu pai”.
- Logo após, ele arrasta os corpos até a cisterna da casa e despeja produtos químicos sobre eles, tentando acelerar a decomposição.
22 a 23 de junho – manipulação e mentira
- O adolescente age como se nada tivesse acontecido, e dá versões contraditórias a familiares.
- Afirma que os pais levaram o irmão ao hospital e não voltaram, tentando ocultar o crime.
24 de junho – avó procura a polícia
- A avó paterna do adolescente registra o desaparecimento da família na 143ª DP, levantando suspeitas.
- Policiais fazem uma busca na casa e encontram sinais de sangue, odor forte e irregularidades na cisterna.
25 de junho – confissão e prisão
- Pressionado pelas evidências, o garoto confessa os assassinatos.
- A polícia resgata os corpos da cisterna, já em avançado estado de decomposição.
26 de junho – namorada é ouvida
- A jovem de 15 anos, que vive em Água Boa (MT), é ouvida pela polícia.
- Ela confessa ter incentivado o crime, estar em ligação durante os assassinatos e se mostra “orgulhosa” da atitude do namorado.
30 de junho – apreensão da adolescente
- A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul apreende a jovem, que passa a responder por triplo homicídio qualificado, coautoria e ocultação de cadáver.
2 de julho – revelações do laudo e plano financeiro
- O laudo cadavérico revela que os três foram mortos com tiros na cabeça.
- A polícia descobre que o adolescente pesquisou como sacar o FGTS dos pais após o falecimento e pretendia vender a casa da família por R$ 300 mil.
- O dinheiro seria usado para financiar sua viagem até o Mato Grosso do Sul, onde pretendia viver com a namorada.
Diálogos e frieza chocaram os investigadores
Os prints das conversas revelam um nível de frieza incomum. Além das instruções dadas durante o crime, a adolescente chegou a pedir que ele enviasse fotos dos corpos como prova. Em um dos áudios, a jovem se refere ao irmão da vítima como “chato”, e diz que seria “melhor” se ele também fosse morto.
Investigadores apontam que os dois trataram o plano como se fosse parte de um jogo, desumanizando completamente as vítimas. Termos como “finaliza” e “só falta um” aparecem nas mensagens trocadas, dando a entender que a chacina foi conduzida como uma “missão”.
Perfil dos envolvidos
- O adolescente: descrito como calado, retraído e com comportamento isolado. Jogava online desde pequeno e conheceu a namorada aos 8 anos, também em jogos multiplayer.
- A namorada: moradora de Água Boa (MT), também menor de idade, está sob custódia do juizado da infância. Relatou à polícia que amava o rapaz, que o apoiaria em qualquer coisa e que sentia “orgulho” pelo que ele fez para ficarem juntos.
Investigação aponta possível transtorno e psicopatia
O delegado responsável pelo caso, Matheus Augusto, afirmou que ambos demonstram traços preocupantes de distorção da realidade, com indícios de psicopatia juvenil. A motivação para o crime mistura obsessão amorosa, promessa de liberdade, e ganância financeira.
Próximos passos
A Justiça do Rio avalia a internação do adolescente por até 3 anos, como permite o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A jovem, apreendida no Mato Grosso do Sul, será transferida para o Rio para prestar novo depoimento e deve seguir o mesmo processo.
O que ainda será investigado:
- O envolvimento de terceiros (amigos, fóruns, comunidades online);
- A origem da arma de fogo e se houve falha na guarda;
- A possibilidade de premeditação com base em pesquisas feitas pelo adolescente antes do crime (FGTS, venda da casa, locais para fuga).




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